terça-feira, novembro 29, 2005

Jesus Maria Jose

Amiga, exigo nao existe. Tu ainda pode escolher se quer que eu apague, ou deixe ali, em letras garrafais.
Vamos as atualizacoes:
Estamos de casa nova, quentinha e confortavel. Ainda dormimos nos sleeping bags. Ontem lavamos roupa pela primeira vez. A Alemoa, que nunca havia lavado uma peca de roupa na vida, ficou surpresa, ao descobrir que as roupas coloridas nao devem ser lavadas com as brancas.
Bom, teve o episodio da festa de sabado. Fomos na Avalon, um club em Hollywood onde estavam tocando o Seb Fountain e Steave Porter. Chegamos cedo, o Miro entrou sem problema com os seus "24 anos" de idade. O lugar e lindo, enorme, 3 andares, um palco gigante, entradas pra todos os lados. O som de qualidade muito boa. Ficamos por ali, meio que sem saber pra que lado ir. Foi estranho pra caramba. Tinha uma gente muuuuito estranha. E isso, e claro, foi o nosso foco principal. Faltava o Papa com as suas garrafas, o Junico nos cagando ordens, pra cima e pra baixo, o Zezinho, o Carlos, e os nossos meninos. Faltava muito a nossa Maricota querida (que cometeu a serissima gafe la de cima), mas enfim, conseguimos dar boas risadas da cara daquele caquedo.
Nos deparamos com personalidades portoalegrenses: o Lorenzo Zaluski engordou uns 15 kilos, acabando a sua temporada de Jet- Ski com uma camisa de cafetao listrada; o Macarroni estava la, com os seus oculos espelhados, se suando todo, dancando sozinho. Teve tb a sessao dos asiaticos (!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!) a coisa mais louca que nos tres ja vimos na vida. No lado esquerdo do palco, eles predominavam. Eram mais de 100, Chinatown, e pasmem: a idade media do pessoal era de 40 anos! Tinha um casal que beirava os 60 (juro), ele com os olhos travados, e ela se sacudia pra cima e pra baixo. Eu diria BIZARRO. Ainda por ali, Homer Simpson, um senhor japa, de 60 e poucos, com uma cara de uva passa, loucasso! A Alemoa dividiu um momento com um senhor arabe, todo fantasiado de pirata e completamente iluminado. Aneis em todos os dedos, correntes piscantes, era praticamente um meteoro ambulante. Ele tremia, como se estivesse recebendo uma entidade. Ele aticou ela e ela devolveu, na mesma moeda. Nessa hora eu corri pro banheiro. O Miro se sumiu, cadela, a noite inteira, esvoacando pela pista. Diz ela que tomou so uma Absolut com soda. Eu fiz amizade com uma figura que trabalha por la. Ele parecia uma libelula, conhecemos na porta, ainda antes de entrar ja tinhamos assinado uma lista pra nunca mais pagar porra nenhuma. (Ate porque ninguem aqui e palhaco), enfim, o guri nos serviu de Red Bull e dancava na nossa frente enquanto a gente ria da cara dele, ate que o coitado, sem jeito perguntou: Vcs estao rindo de mim? Eu devo parecer estranho pra vcs!!!!!!!!!!! E por ai foi.
La pelas 6h encontramos o Miro, em bom estado. Voltamos pra casa exaustas. Ah, o tal do Porter tocou um trance insuportavel, mas o Seb Fountain ARREBENTOU e tocou uma sonzeira.
Fico por aqui. Parabens pra Donana, que completou mais uma primavera ontem.

Protesto Eu!

Na qualidade de sócia fundadora dessa merda EXIJO que tu atualize esse blog com uma freqüencia decente. Ou me mandem e-mails! Quero notícias dos meus caquedos!

Ass: Maricota

terça-feira, novembro 22, 2005

Protesto!

Estive pensando. Percebi que, ja a algum tempo, nao venho dando o valor merecido a minha familia e amigos. Nao que nao de valor, mas gostaria de demonstrar mais. Muitas vezes penso, mas acabo nao fazendo. Eterna mania de postergar tudo. Prioridades erradas.
Nunca e tarde. Mudancas sempre sao bem vindas. Vamos aos fatos:
Vou comecar a ligar mais pra minha mae, dar mais atencao para a saudade que ela sente e mais valor. Uma forma de agredecimento por ela ter acreditado tanto em mim e nos meus sonhos. Prometo me dedicar mais.
Ao meu mano querido que segura todas as barras e que no aeroporto fica imovel, ali, vazio, e que mesmo ao maior vazio, me viu desaparecer sem dizer nem uma palavra.
Pro meu pai, pra Bim e pros meus pequenos. Parabens atrasado pro principe e lembrancas das princesas da Disney pra Dudinha.

Hoje, num dia daqueles tristes, fica um pedaco de um email lindo que o Dudi me mandou (antes daquela ofensa sobre o nosso possante!) e que eu vou colar na parede do meu quarto na minha casa nova.

"É aquela coisa que eu te disse, eu não tenho o mínimo medo de que as coisas não dêem certo pra ti, não tenho mesmo. E tu pode falar o que tu quiser...que agora é diferente....qualquer coisa. Mas eu sei que se tu quiser mesmo tu consegue. Só que tu tem que querer. E é com isso que eu ando preocupado. Será que tu quer mesmo? Será que tu ta buscando mesmo as coisas pra dar certo? Será que tu não ta te atrapalhando um pouco nos sentimentos e pensamentos??? Bah Rê, ninguém mais do que eu sabe o que é isso, o que é essa falta, tanto que tu vê o quanto eu odeio essas viagens, o quanto eu não gosto nem de ouvir esses papos. O que aconteceu foi que tu me fez ver um outro lado, tu me fez ter uma pequena vontade que fosse de ir e fazer o mesmo que tu, tu me fez olhar com outros olhos e querer fazer uma viagem mesmo que pra longe de todos que eu gosto. O que eu to dizendo é que foi tu quem me fez ver isso e o que me parece é que tu não ta enxergando. Tenho tido medo que tu desista. Mesmo. E, de verdade, eu não quero que isso aconteça. Eu quero te dar força pra tu seguir e realizar os teus sonhos, mesmo que passando por dificuldades. Sempre foi foda viajar. Sei que dessa vez ta sendo pior, mas quero que tu tenha vontade de ser feliz e de realizar esse teu sonho. Por mais que seja difícil pra caralho pra mim também, talvez hoje em dia mais do que pra ti mesma, eu quero que tu volte daqui um tempo com a cara de dever cumprido, com o espírito de sonho realizado. Feito! Eu quero de verdade isso. Por isso eu te falo: Tem vontade Rê. Luta. Vai atrás. Busca. Rala. Mete a cara. Fecha o olho e vai. Nos dois mais do que ninguém sabemos que nos conseguimos quase tudo que a gente quer. Sempre foi assim. E não é pq eu descobri que ninguém nem eu sou invencível que eu vou deixar de acreditar em mim e em ti. Nós conseguimos sim!! E quero ver quem vai conseguir tirar isso de nós.
Bom, aguardo a tua resposta e, por enquanto, vai sendo feliz que é o melhor que tu faz. Vai nos lugares que te fazem bem, faz as coisas que te fazem bem, e vai sendo feliz.
Te amo mais do que tudo na minha vida. Hoje e sempre.
Filhó "

domingo, novembro 20, 2005

Finalmente fotos!

http://caquedo.multiply.com/

Corram la.

Sobre o nosso possante - pro Filhote.


Ao abrirmos nossos emails, nos deparamos com essa afronta:

Não é esse carro aí que voces alugaram né???? Olhem a foto e nos digam se é isso mesmo!!!! Pequena e eu estamos um tanto quanto espantados com ele. O Miró anda ali atrás?? Entra na portinha de trás e fica ali se divertindo??? A Rê dirige?? Que que a Alemoa faz dentro dele??? Que viagem!!!! Contem-nos detalhes please... Beijos beijos e mais beijos de nós pra voces Filhote e Pequena

Primeiro, o nosso carro e ultra luxuoso, ultimo modelo e ninguem tem outro igual por aqui. Ele e lilas e lindo. Cabemos nos todas, confortavelmente. Eu dirijo, a Alemoa vai de co-pilota coordenando os mapas e o Miro vai atirada atras comendo moscas. Sentimos uma pitada de inveja neste email, Eduardo. Antes andar num possante automatico com direcao hidraulica, ar condicionado e lusinhas legais, do que em qualquer caquedo pelas obras da Dom Pedro, ao calorzinho do verao de Porto Alegre que te quero alegre. Vai pro inferno!

Das 3

quinta-feira, novembro 17, 2005

The City of Angels


Comecando pelo fim: para cartas, postais, telegramas e sinais de fumaca, temos um novo endereco: 2247 29th street/ Santa Monica - CA. Ja faz dias que vinhamos mantendo o calvario da procura sem sucesso. Fomos comemorar, vendo o primeiro por do sol em Santa Monica. No pier dos anjos, do meu filme favorito, Cidade dos Anjos. A praia fica linda, laranja, de ficar sem palavras, so admirando. Respirar o ar da praia, como eu imaginava, foi tudo. Caminhamos ate o final do pier, onde para baixo so encontramos o mar. Lindo. E ainda de presente, ganhamos uma lua cheia. Dia feliz. Ate que enfim. Estamos todas mais leves.

Algumas outras memorias. Ontem jantamos em Beverly Hills (a Mira em Beverly Hills). Fizemos aquela barulheira de praxe. Toda aquela boa educacao que nos acompanha por onde andamos. Sobre os Japas, eles estao por toda a parte, nos impregnando com o seu ingles precario. Ah, o professor da nossa aula nao nos suporta. Deve ser porque nao conseguimos parar de falar, de rir e a algariacao junto com a nossa ansiedade. A Alemoa esta sempre fazendo qualquer coisa, menos o que o cara manda. Ela faz calculos, escreve, le propagandas, me chama, quer comentar... Aquele clima. A Mira ta de cara com os colegas dela tb. Se o ingles da Mira e de iniciante, imaginem o dos japas colegas dela. Parece que a professora andou perguntando se alguem na turma ja tinha bebido ate cair, e ela, foi a unica a responder que sim. E que alem disso, bebia muita vodka com Red Bull. Os Japas queriam tirar fotos com ela. Tivemos tb o episodio dos farelos. Roubamos umas bolachas que tinha em cima da mesa da recepcao da escola. Caminhamos ate a sala de aula (atrasadas) nos guspindo farelos. Sentamos sob o olhar do professor incredulo. E continuamos com os farelos. Guspi uma lentamente pra sujar a mesa da Alemoa. O professor, assistindo a tudo, nao conseguiu nem reclamar, tamanho o choque. Vale lembrar que a guerra com ele ja foi travada e que ele ainda nao viu nada.

Bom, por hoje e so. Estamos providenciando as fotos.

terça-feira, novembro 15, 2005

O que nao mata, engorda.


Ta certo que nao tem dado nada "certo". Que a gente passa dia e noite procurando um bendito lugar pra morar. Que nao temos nada da porqueira de credito que eles pedem aqui. Que, mesmo que a gente pudesse comprar todos os predios, com todos os aptos que a gente tem visto, nao adiantaria nada. Estamos morando "de favor" na casa de uma amiga nova. Temos uma semana pra sair de la. Estas aulas de ingles, que nao servem tb pra nada. Desgraceira. Pra completar, o melhor do show: fomos na UCLA (motivo principal da vinda pra ca) e, pasmem, provavelmente nao estarei apta a frequentar as aulas. Sim, tudo relativamente errado. Vai saber. Sempre contei muito com a sorte, com as energias positivas. Objetivos tracados, caminhos seguidos, lutas e mais lutas. E o pior e que quando a gente ve, da tudo errado. Viver e deixar viver.

quarta-feira, novembro 09, 2005

Conta no banco.


Mais um dia na (nada) ensolarada California. Hoje o trio parada dura acordou com o raiar do sol - 6h20. A Japa dormia faceira, depois de ter nos negado a sua partida do infame quarto das 4. Fizemos todo o barulho possivel. Vale lembrar que ontem tivemos uma participante perdida pela cidade. A moca andou mais de 3 horas, tentando encontrar a suposta casa de origem. Por fim Eliangeles chegou escoltada, nada mais, nada menos do que pela policia de Los Angeles. Quando entrou no quarto, ela estava ofegante, apavorada, mas feliz com suas novas amizades.

Voltando, fomos pra aula e nao gostamos de nada. Vinagres de sangue, seguimos so reclamando de tudo. Abrimos contas num banco 5 estrelas - mal sabem eles... Temos encontrado pela rua, seguidamente uma mendiga que le muito. Ela fica atirada em bancos com livros ao redor. No banco foi uma festa. A mulher tentando se fazer entender e a Mira ja com aquela cara de nojo pra ela. " Americana gorda e antipatica".

Amanha falamos mais.

terça-feira, novembro 08, 2005

Melhores e piores da chegada em LA.


Chegamos e eu ja havia me incomodado com aquela maldita Delta Airlines. Fizemos conexao em Atlanta, a tal imigracao, trocamos as malas de aviao e o meu xodo, a minha prancha de snowboard estava la, atirada no meio do nada, na bag rasgada e fitas brancas enroladas, tapeando o enorme estrago. Fiquei cega de odio (vou pular essa parte), reinei por todos os lados e eles pareceram resolver o acontecido. Vou numa loja aqui comprar uma prancha nova, uma bag nova, uma lancha e uma montanha de neve para esta companhia desgracada me pagar - vale lembrar que perdi uma Havaianas nova em folha, que caiu de dentro da bag rasgada.

LAX. A Mira reclamando que um cara havia tirado sarro da cara dela quando ela perguntou onde ficava o "bedroom". Pegamos um taxi e chegamos na tal Pocilga. No quarto, uma menina japonesa (todos aqui sao japoneses, sujos e estranhos) comia algo parecido com um joelho de porco ao molho de um camarao que impregnava. Olhamos em estado de choque e perguntamos se ela morava ali no "nosso" quarto. A Mira fitava incredula. Dormimos as 3 no quarto com a Japa - que pelo menos tirou o lixo do quarto.

Saudades dos nossos. Resmungamos sem parar. Estamos em plena Ensolarada California e tudo parecia uma verdadeira desilusao - dias melhores virao. Comemos qualquer coisa sem gosto, divagamos sobre os amores. A saudade de qualquer coisa que nos fizesse sentir um pouquinho seguras, entre uma caminhada e outra, ainda sem banhos tomados. Exaustao e lagrimas aos montes. Ah, a Mira encheu o peito, pedindo uma cerveja - " Eu quero aquela que so tem aqui em Los Angeles" - o garcon, cumprindo o seu dever de cidadao americano responde: "May I see your ID? - Ela olha pra mim, pra Alemoa, cara de odio, misturada com decepecao: "Coca-cola please.

Fomos na escola. Tiramos duvidas e depois fomos visitar a minha tao amada e esperada praia de Santa Monica, local onde pretendemos mudar o quanto antes. Andamos de Roda-Gigante. A inacreditavel roda gigante que fica em cima do Pier de Santa Monica, iluminando a praia, mesmo que de noite, com suas luzes coloridas e piscantes.

Ja ta tarde e a gente ainda tem que tentar convencer a Japa a sair do quarto.

No aeroporto.

E assim foi o comeco de tudo. Um gosto estranho. Mistura de doce com amargo. Vinha me despedindo ha meses e, aos poucos, as lagrimas fluiam naturalmente. A ansia do que estava por vir, acabou aliviando um pouco no final. O aeroporto sempre e dificil, embaralhado. Os sentimentos de todos ficam a flor da pele, alguns ja vinham sentindo, outros acabam de descobrir o tal medo da ausencia. A hora de embarcar vai chegando e, num crescente, o medo da saudade vai apertando. Menos mal, enfim a tortura das despedidas ia ficando pra traz a medida em que aquele aviao chegava mais perto. Angustia, alivio e, ao menos, nuvens no ceu.