quarta-feira, abril 04, 2007

Corpo Fechado.



Numa revista Trip que tenho aqui em casa, estava lendo uma reportagem. O colunista, que ficou preso durante 31 anos e 10 meses, escreve ha 4 anos pra revista. Ele conta sobre o tempo em que ficou trabalhando na cadeia, que dava aulas para os outros presos. Bem legal. Mas não e ai que eu queria chegar. Queria falar de limitações drásticas. De descobertas repentinas. De quase- tragédias inesperadas. Os que são presos inocentemente, os que sofrem de câncer e outras doenças irreversíveis. Todos têm corpo fechado ate que se prove o contrario.

Seria possível imaginar a sensação do preso inocente? Eu digo, assim, por dentro. O enjôo, a falta de ar, a impressão de que tiraram o chão e só resta esperar que as pernas não levem mais. Qual será o valor que um preso da a liberdade? Ou um doente a saúde? Certamente um valor muito maior do que os livres e os saudáveis dão. Porque parece que os livros e relatos nunca são ou serão suficientes. Deixemos que os outros fiquem com os seus problemas televisionados. Aqui não entra, não pega e não chega.

Que seja idolatrada a saúde e a liberdade. Porque se pode aprender sim com os erros dos outros.

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